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Henrique Cunha vai muito, muito bem, obrigado
Nem foi preciso esperar muito para que o talento do canhoto Henrique Cunha despontasse no circuito universitário norte-americano. O garoto de Jaú, que acabou de entrar para a Universidade de Duke, participou neste final de semana de seus primeiros jogos pela Divisão I e adivinhem: virou rapidamente a estrela da competição, ao derrotar logo na segunda partida o número 2 do ranking nacional, John Patick Smith, por 6/4, 3/6 e 10-8. Ele chegou na semifinal, derrotado pelo número 5 Guillermo Gomez, 6/2 e 6/3. Não é difícil entender então por que o time de tênis masculino da Universidade está tão radiante com a chegada do brasileiro. Os Blue Devils, como a equipe é conhecida, não conseguiram até hoje repetir o sucesso da ala feminina que, com Mallory Cecil à frente, ganhou o título da NCAA no ano passado. Pouco meses depois, Cecil já estava no circuito profissional, caminho que o 'brasileiro' Josh Goffi enxerga como inevitável para Cunha: "Acho que ele não ficará na escola por muito tempo". Vale lembrar rapidamente que Cunha foi intensamente disputado por várias Universidades quando decidiu interromper o início de carreira profissional aqui no Brasil, entre elas as poderosíssimas UCLA, Virginia e Georgia. Para surpresa geral, acabou indo para Duke, impulsionado pela presença de Goffi e do amigo Alain Michel, outro juvenil de qualidade que preferiu fazer as malas para o circuito universitário. Josh, a bem da verdade, é carioca de nascimento mas nem fala português, já que passou a vida toda ao lado do pai Carlos, radicado nos EUA desde os 17 anos, esse sim brasileiro efetivo e ex-treinador de John McEnroe. Como sempre atuou na ATP pelo Brasil, Josh chegou a ser convocado para a Copa Davis naquela crise de 2004. Goffi está eufórico com a presença do garoto de Jaú, a quem considera um dos jogadores de maior qualidade a chegar ao circuito universitário, já que fez uma bela carreira juvenil (foi número 6 do mundo) e iniciou com o pé direito na profissional (com um título de future e 682º posto no ranking). O treinador tem certeza de que, em pouco tempo, ele vai superar o principal nome dos Blue Devils, Reid Carleton, atual número 29 do ranking nacional. O técnico principal, Ramsey Smith, só tem elogios para o brasileiro, afirmando que ele é muito maduro para seus 19 anos, com excelente controle de bola, devolução e posicionamento em quadra. Ele acha que o saque ainda pode melhorar muito, especialmente em velocidade: "Assim que fizer isso, ele vai ser odiado". Henrique deixou o Brasil sob algumas críticas, principalmente de dirigentes do Instituto do Tênis, onde treinava. Mas ele se proclama muito feliz com a escolha. Diz que está aprendendo a lidar com o inglês cada vez melhor e que não sente saudades de casa. "Ele tem um estilo peculiar, demora uma hora para caminhar do ginásio até as quadras, mas quando começa a trabalhar ele mostra todo seu empenho. Ele já é respeitado e vai ser um grande exemplo para o time", aposta Goffi. No próximo final de semana - no inteligente circuito universitário dos EUA, apenas se joga de sábado e domingo, ás vezes na segunda-feira -, Henrique disputará um torneio em Charlottesville, mas numa chave que equivaleria à "terceira classe" já que ainda não tem ponto no ranking nacional. A temporada para valer dá a largada em janeiro. Vale a pena ficar de olho nele. P.S.: Quem gentilmente enviou as reportagens já publicadas sobre Henrique foi Ivana Cunha, certamente (e com justiça) muito orgulhosa. P.S. 2: Tenho certeza de que Henrique, cujo potencial sempre destaquei aqui, evoluirá muito mais como tenista e como pessoa em dois anos de circuito universitário do que se ficasse aqui disputando futures e sonhando com convite para challengers. P.S. 3: Continuo aguardando a Confederação Brasileira me dar um retorno sobre a quantas anda o trabalho de Emilio Sanchez. Insistirei. por José Nilton Dalcim
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